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Tenho notado em mim que desde o dia que o sono me trouxe de mão
dada esta saudade perturbadora, que estou diferente. Passos os dias
inteiros a espera de algo que nunca chega, algo que se aproxima e
que eu sinto tanta falta!
Uma
ansiedade tremenda, que força todas a reentrâncias do meu ser.
Rasgando todas as paredes altas e fortes que fui criando em torno
da minha “ jóia “. E esta jóia que parece responder a
todos os chamados desta ansiedade, que parece um gato selvagem
rendido as mãos de algo de que sempre fugira… Não sei bem o
que.
Rio-me de pensar de quão infantil me sinto, com esta nova
sensação, que me deixa obtuso, nos meus pensamentos e na minha
forma de clarificar. Não percebo do que me conformo, até porque o
conformismo, não me soa muito bem. Dado que me da ideia de que me
conformo. Que chegou a hora de dizer o “ Sim”, seja lá
o que for, não entendo. Não encaro bem o conformismo, porque me da
uma sensação de derrota, de comodismo… É horrível
imaginar-me assim… Até porque tive-me sempre em conta como
um louco, de casa as costas! Sem nunca estar conformado com nada, a
não ser conformado a mudar de ideias a toda a hora!
É um
contra censo, não me quero sentir conformado de algo que me esta
perturbar, mas ao mesmo tempo conformo-me com o facto de ser um
louco. Bem, isto vai longe demais, sempre que tento explicar as
minhas intenções para com a minha “jóia”.
Tenho consumido as páginas de livros, como nunca imaginei, com
uma sede louca de beber, cada vez mais. Como se trata-se de ser
fácil matar esta sede que me persegue. Leio livros, mais livros e
continuo a querer ler mais. Parece uma história, jamais folheada de
outra forma. Como se fosse apenas necessário alimentar-me através
das paginas… De todo!
Não
me preocupa esta sede, mas preocupa-me o que esta sede esta a
acordar em mim.
De
todas as historias que li, esta de facto esta a ser a mais
enriquecedora. Lendas, criaturas, muita fantasia mas uma lição de
vida única, que como já disse me esta a acordar algo que não estou
a reconhecer. Ou melhor, já conheço, mas tenho medo. Tenho me visto
varias vezes fora do corpo, e imagino me não no pássaro que deveria
ser, mas sim na gaiola que o prende… Vejo-me literalmente
como, uma prisão cheia de celas e estas ocupadas pelos seus
prisioneiros… Ou estava cheia deles. Agora, estes andam
feitos loucos a passear na minha “gaiola”….
Corro! Tentando devolver a cada cela, o seu ocupante. Sem
efeito… Não me conformo, com esta sede louca, que surripia
as chaves das minhas celas, desta forma tão injusta!
É
quase como se já tivesse a casa toda arrumada e num abrir e fechar
de olhos estava tudo em pantanas…. O pior é que a sede
quente que nem fogo eterno, derreteu todas estas portas que
mantinham a minha “gaiola” arrumada. Foi isto que as
historias de que falo, me fizeram. Se me acordaram ou não. Não faço
questão de receber a resposta. Sei que tenho um motim dentro da
minha gaiola. Que as minhas sobras se juntaram todas e que agora
lutam ali por mim. Não me conformo, digo e repito!
Não
tenho a certeza se é conformismo que me pedem, ou se trata de algo
diferente.
Olhando-me de novo, sem descurar todo este aparato interior.
Reparo que tenho aquela saudade enroscada em mim. Não como um gato
mas como um cobra, pronta a dar-me aquele “abraço
eterno” que todos temem. É ridícula a imagem. Vejo me, com a
minha postura severa, olhar carregado, sorriso nos lábios (o
contraste de que todos falam) e uma aura a percorrer-me o corpo.
Sem falar na cobra, que me aquece naquele abraço
terno…
Foi
ai que dei conta que de facto na hora certa a historia que nunca
mais acaba, esbarrou em mim, para consumir todas estas fechaduras
que me aprisionam o pássaro e tudo o que resta dele, nestas celas
frias!
Descubro a guerra eterna e silenciosa que tenho travado dentro
dos meus confins, como se não se trata-se de nada. O silencio frio
que criei entre “mim “ e “mim”. As
atrocidades necessárias que cometi para criar em mim, o ser
aparentemente carregado e sorridente.
A
“ Verdade da mentira” disse eu, ou será a
“mentira da verdade” parecem ser verdadeiramente
opostas. Mas estão lá as suas essências, cravada uma na outra. É
precisamente isso, que necessito de fazer. Há tanto para perdoar e
tanto para ver ao mesmo tempo. Há tanto para viver e tanto tempo
que não me deixei fazê-lo. Partirá de mim no momento certo. Não me
culpabilizo. Fi-lo do coração, por mais que soe a
controverso.
Tanta mentiras que conta-mos para calar a verdade. Tantas
verdades que cuspimos, para matar a mentira. De facto é um ciclo
vicioso. As vezes que sem contar, ignora-mos o nosso canto em prol
de algo, que de longe parecia muito mais tentador. As vezes que
justifica-mos a verdade com a mentira. A quantidade de situações em
que usamos a mentira como verdade para nos proteger-mos entre
paredes frágeis. E soubéssemos nos o quanto isso no safasta de nos
memos, sem nos afastar!
Sei
que fui um Bin-landen, comigo mesmo. Mas também sei que sou( porque
embora a minha árvore ainda seja grande e sabia) sedento de vida, e
o meu ímpeto de juventude leva-me a estes descuidos e não
erros.
Acredito assim que a Historia não tem fim … Porque é
simplesmente eterna.
É
uma luta de que todos nos precisamos, para não enjaular o pássaro
em que nos tornamos.
Não
me coíbo de cometer “deslizes”, assim como sei que não
existe uma “culpa” que me faça sentir pesado. Mas sei
que podia ser diferente do que é. É disso que não me conformo,
porque percebi que na curta existência podemos ser tudo. Mesmo
assim, a resposta para isso não esta onde mais
procuramos…
Sou tão egoísta quanto o meu ser me permite sê-lo, mas amo
mais do que os limites físicos.
Porque no amor não pode haver limites, porque amor é
precisamente a paisagem sem paredes que gira em torno do
“pássaro”.
As vezes precisamos de sair para encontrar e voltamos
sempre para repor.
É
assim que me encontro…
“ Nos limites das palavras, jamais encontrarei aquilo que
me define…”