De : "Eu" Para: "Mim"

De: “Eu” Para: “Mim”

Passo dias a meditar sobre sentimentos, que não consigo sentir.

Sentimentos que existem para alem da minha muralha… Do meu forte aglomerado de pedrinhas!

Passo horas a tentar descobrir como, tocar-lhes, senti-los, ouvi-los, ou talvez, cheira-los.

Passo minutos, a deambular em volta desses sentimentos, tentando descobrir o porquê da sua existência.

E tudo isto para poder entender o porque da minha própria existência, do meu caminho, do meu trajecto. Do meu “Eu”…

Sem lhes tocar, cheirar ou sentir, vejo lhes a forma. Tenho medo do que me possa fazer sentir… Mas sinto-me seguro no medo.

Estupidamente conformo-me com este facto, o medo existe em mim e em vez de o expulsar abraço-o com todas as minhas forças. Em vez de lutar contra ele, de o ignorar, trato-o como um grande mestre. Sinto que ele me protege de todas as investidas, sejam elas quais forem… Estou ali! Impune… Embora estático!

Protegido… Embora intocável! Forte… embora indefeso!

Porque, não sei o que é a vida, nem a vida sabe o que é de mim…

Em vez de lutar, pelos meus desejos, fico aqui por detrás desta cortina, desculpando-me de todo o meu infortúnio! Invento desculpas, para não ir á luta, invento historias para não caminhar… Quem criou esta cortina que me aquece… se eu prefiro o frio?

Quem criou estas paredes? Se eu prefiro viver no relento…

Quem?

 

Eu… Unicamente “Eu” mas não o “EU” que tenho de ser…Ou que já sou, mas tenho de medo de o sentir…

Porque criei eu, todas estas protecções que jamais me protegem do mal que me é atirado, mas que me afastam daquilo que “EU” sou…

Protecções… Fúteis!

Que barco é este que embarquei sem destino… que não me deixa desembarcar neste cais?

Não sou um coitado, tão pouco um perdedor… Sou apenas alguém que busca em si toda a sabedoria, perdida, estagnada, neste cais que não tenho meio de desembarcar… Um raio de luz, que busca incessantemente o seu destino.

 

  Um ser que procura em todos os becos, uma pequena saída de ar puro…

Criei sem duvida esta redoma ao meu redor, para que nada me atingisse, mas agora sou inatingível. E não conformo… Porque para além da segurança, tem o seu preço…

Assim nos perdemos, daquilo que realmente somos... Quando achamos que vamos dar um passo e afinal passamos a rasteira fatal, a nos mesmos… Que nos faz cair por terra e ficarmos parados no tempo, a idealizar, estruturar planos sem fim… Aí criamos outra realidade paralela á nossa. Que não nos permite ver para lá do criamos… Ou seja raramente acordamos desse sonho, de construções, edificações e afins…

Pois, eu quero acordar!

Quero que em mim nasça, um tornado e derrube estas paredes, que só me escondem do mundo que tenho de viver… que me obrigam a criar realidades que não existem para além de mim!

Pois que esses ventos venham logo, e que arrebatam logo estas paredes que se tornarão na minha prisão domiciliaria. Que me prendem nos terrenos da minha imaginação fértil…

Quero ser livre deste “mim” que criei e a passar a ser apenas o “EU” para que nasci…

Espero que o passo chegue logo…

De: “Eu” para “ Mim” 

Espero que sejas feliz… A solução existe em ti. Abre as tuas portas… e sente a brisa.

domingo 01 junho 2008 18:16



1 comentário(s)

  • Adão Dom 21 Dez 2008 23:59
    Saiste na rifa :PPPP

    "E se tenho que desafiar 5 pessoas para prosseguir com o desafio musical… escolho os proprietários, dos seguintes “blogs”:

    Não se escreve mas tenta-se
    Confissões
    Blogo penso nisso
    Para sempre eu
    Lost in translation"

    (vê o meu post "Fragmentos do paraíso - 006)

    Abraço


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